O Que É Ethereum 2.0? 10 Fatos Sobre Nova Versão do Ethereum

O Que É Ethereum 2.0? 10 Fatos Sobre Nova Versão do Ethereum

Tem sido uma viagem atribulada, mas o lançamento do Ethereum 2.0 está cada vez mais próximo.

Depois de falhar o lançamento previsto para janeiro deste ano e após algumas confusões em relação a um possível lançamento em julho, parece que a nova versão do Ethereum chegará no terceiro trimestre de 2020, embora uma data concreta ainda não esteja definida.

Minha posição atual é que o Ethereum 2.0 está no caminho certo, pois não há eventos inesperados. Mas eu recorro aos desenvolvedores de clientes sobre o cronograma e, se eles estão dizendo que o lançamento será no terceiro trimestre, então acredito neles.”

Vitalik Buterin, Fundador do Ethereum

Praticamente desde que o Ethereum original foi lançado em 2015 que se fala na transição do seu algoritmo de consenso Proof of Work para um algoritmo Proof of Stake. Essa é precisamente uma das principais alterações a caminho, mas está longe de ser a única.

Afinal, o que é Ethereum 2.0?

Tal como o criador do Ethereum, Vitalik Buterin, explicou durante a conferência dedicada à criptomoeda na Devcon4, trata-se de “um conjunto de atualizações desenvolvidas ao longo de vários anos” que levarão o projeto para o próximo nível.

Na verdade, e embora seja provavelmente a mais relevante de todas as atualizações, esse é apenas mais um passo no roadmap do projeto, iniciado em 2015.

Veja:

  1. Frontier: o build inicial, tal como foi lançado;
  2. Homestead: a versão do Ethereum usada até 2018;
  3. Metropolis: a fase atual (que se divide em duas partes, que consistem em dois hard forks: Byzantium e Constantinople);
  4. Serenity: o momento que nos levará para o Ethereum 2.0. Acontecerá em 3 fases, até 2022 e contemplará uma série de atualizações há muito aguardadas.

É para esse conjunto de atualizações que olhamos nesta lista de 10 fatos e curiosidades sobre a atualização que tornará o Ethereum maior e melhor – e, quem sabe, ajudá-lo a superar o Bitcoin quanto à capitalização de mercado.

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1. Serenity

Muitas vezes se ouve falar em Serenity quando o tópico é Ethereum 2.0. Mas afinal, quais são as diferenças?

Na verdade, os dois são praticamente a mesma coisa. O Ethereum 2.0 nasce com a atualização Serenity. Portanto, se quiseremos:

  • Serenity é o nome da atualização;
  • Ethereum 2.0 é o produto dessa atualização.

É quase altura para dizer:

Ethereum 2.0 Serenity
A imagem retirada de um episódio de Seinfield foi apresentada por Vitalik Buterin na Devcon4, em Praga.

Na prática, a atualizção Serenity, que está a ser trabalhada há vários anos, será responsável pelo resto das implementações que abordamos neste artigo.

2. Casper

À semelhança do Bitcoin, o Ethereum também depende do poder de processamento para funcionar o que, naturalmente, representa grandes gastos para quem participa na rede.

Ou seja:

São duas criptomoedas que recorrem ao algoritmo de consenso Proof of Work (PoW), razão pela qual as novas criptomoedas são obtidas por um processo de mineração.

Mas não por muito tempo!

É que essa é precisamente uma das principais alterações que serão trazidas pelo Ethereum 2.0 que, com a nova atualização, fará a transição para um algoritmo Proof of Stake (PoS) que o tornará muito mais eficiente.

E isso nos leva precisamente para o próximo ponto.

3. Beacon Chain

Com a nova atualização será lançada uma nova blockchain PoS do Ethereum, a Beacon Chain.

Uma vez que haverá uma transição tão grande como a de um algoritmo de consenso, os sistemas PoW e PoS terão de funcionar em paralelo.

A Beacon Chain será responsável por gerir esses dois algoritmos, uma espécie de ponte entre os dois.

Ethereum 2.0 Beaconn Chain

A Beacon Chain dará assim o pontapé de saída para o lançamento da fase 0 do Ethereum 2.0. Uma vez terminada essa fase, haverá duas cadeias Ethereum ativas.

Assim, os usuários já poderão passar o seu ETH da rede Eth1 para a rede de Eth2 e tornarem-se validadores, um processo também conhecido como Staking.

4. Staking

Nas criptomoedas baseadas em um algoritmo de consenso PoS, os miners, como são conhecidos, têm de investir em hardware específico para resolver as equações matemáticas complexas da rede e competir por uma recompensa em criptomoeda.

O problema é que os equipamentos são caros e os custos energéticos são altíssimos, tornando esse tipo de criptomoedas pouco eficientes.

mineração criptomoedas
Este é um mineiro do mundo tecnológico.

Com o Ethereum 2.0 já será possível fazer staking!

O poder de um usuário em uma blockchain (a do Ethereum, nesse caso) passa a ser definido pelo tamanho da sua stake (posição que detém) e não pelo poder de processamento que possui.

Ora, quanto maior for a sua posição, maior será o seu poder na blockchain e, consequentemente, maior será a probabilidade de validar o próximo bloco da rede e de ser recompensado por isso.

Para começar a fazer Staking de Ethereum, ganhando juros com a criptomoeda, terá de ter, no mínimo, 32 ETH.

As recompensas propostas já podem ser consultadas aqui.

5. Sharding

A capacidade de escalar é uma preocupação para a maioria dos gestores de projetos, sejam eles tecnológicos ou não.

Criptomoedas mais antigas, como o Bitcoin ou o Ethereum, há muito que enfrentam desafios sobre a capacidade de escalarem, de estarem preparadas para o futuro.

É nesse sentido que a nova atualização do Ethereum vai introduzir um processo chamado sharding.

O que muda?

Na versão atual da blockchain do Ethereum, toda a informação adicionada à rede deve ser verificada por todos os nodes (pontos de comunicação) que estejam participando dela.

Ou seja, a velocidade da rede é limitada pela velocidade do participante mais lento, aumentando custos e reduzindo a eficiência.

Através do sharding isso deixa de acontecer.

A informação passa a ser partida e distribuída, sendo que um node passa a ser reponsável por verificar a parte dos dados que recebe, passando a existir um processamento paralelo, o que tornará a blockchain muito mais rápida.

6. Plasma

Plasma é outra proposta com vista à resolução dos problemas de escalabilidade do Ehereum.

Plasma está para o Ethereum tal como a Lightening Network está para o Bitcoin. São tecnologias criadas para tornar as transferências mais rápidas.

Na prática trata-se de uma solução de segunda camada que será construída sobre a blockchain principal do Ethereum.

Funcionará como uma blockchain secundária, uma Plasma Chain, que funcionará em paralelo com a principal, à qual reportará periodicamente.

Ou seja, permitirá aliviar pressão da blockchain principal.

Ainda que no passado já tenham surgido dúvidas sobre o desenvolvimento da tecnologia, a verdade é que continua a fazer parte do roadmap do projeto, embora não esteja necessariamente ligada à atualização 2.0.

7. eWASM

A Ethereum Virtual Machine (EVM) é seguramente uma das estrelas do Ethereum, mas está na altura de seguir em frente.

A EVM é um ambiente de desenvolvimento que corre em todos os nodes da rede para facilitar o uso de Smart Contracts, que tornaram o Ethereum tão popular ao longo dos anos.

Os Smart Contracts fazem dessa criptomoeda mais do que um sistema financeiro.

O Ethereum é um dispositivo computacional capaz de executar programas, transações financeiras, rodar jogos ou operar redes sociais, por exemplo. Existem centenas de projetos e criptomoedas desenvolvidos na blockchain do Ethereum.

Ethereum Tokens
Algumas das criptomoedas desenvolvidas na blockchain de Ethereum. Lista completa pode ser consultada aqui.

Dito isso, a EVM não é a maior amiga dos programadores, já que é difícil de usar até para os especialistas.

Para resolver esse problema, o Ethereum 2.0 trará a possibilidade de usar a linguagem WebAssembly, em um sistema chamado eWasm (Ethereum WebAssembly), que tornará possível executar o código do Ethereum nos browsers modernos.

Além disso, vai permitir também o uso de linguagens como Rust, C e C++, aumentando radicalmente o número potencial de programadores que poderão começar a usar a plataforma, já que deixam de ter de aprender a sua linguagem proprietária.

8. Segurança

A equipe de desenvolvimento do Ethereum está levando a segurança muito a sério e quer garantir que nada escapa na sua nova versão.

Prova disso é o anúncio de que a Fundação Ethereum pagará até R$ 105 mil a quem achar erros no código do Ethereum 2.0.

Existem vários tipos de recompensas, sendo que essas variam de acordo com a gravidade da vulnerabilidade encontrada. A mais alta é para um erro critico na rede.

O programa é válido até o arranque da Fase 0 do Ethereum 2.0. A partir desse momento será lançado um novo programa de bounties.

9. Possíveis Falhas

O objetivo das recompensas é precisamente evitar ao máximo falhas de segurança no projeto.

Em março foi revelado o resultado da auditoria à fase 0 do Ethereum 2.0 feita pela Least Authority a pedido da Fundação Ethereum.

Apesar dos elogios deixados ao projeto, o relatório sublinhou que havia áreas a melhorar, mais especificamente no protocolo P2P e no sistema Ethereum Node Records (ENR).

O relatório incidiu apenas sobre a fase 0, cujo lançamento foi adiado, dando tempo mais do que suficiente para a correção de qualquer problema

10. Preço

É claro que uma atualização tão esperada vai criar uma grande expectativa também em torno do preço da criptomoeda.

O grande objetivo do Ethereum é tornar-se a criptomoeda mais relevante e isso significa também ultrapassar o Bitcoin em capitalização de mercado.

No entanto o Bitcoin tem atualmente um domínio do mercado superior a 60%, pelo que o Ethereum teria de somar uma grande valorização para o superar.

Impossível? Não.

Relembramos que o staking permite que você ganhe uma renda passiva de acordo com a posição que detém.

Em uma criptomoeda tão popular e com um projeto tão sólido como o Ethereum, muita gente vai querer adquirir para se beneficiar dessa nova funcionalidade que virá com o Ethereum 2.0.

Os usuários passam a ser recompensados por deter cada vez mais e mais criptomoedas, havendo um maior incentivo à acumulação. Essa mudança de paradigma poderá ser, por si só, o suficiente para iniciar uma corrida ao Ethereum.

Valor do Ethereum

O Ethereum em 2020 vem apresentando uma trajetória de valorização sólida, apenas interrompida pela crise da Covid-19, mas entretanto retomada.

O impacto de uma atualização dessa magnitude é incerto, pelo simples fato de que não é possível encontrar um paralelo para comparação.

Mas, tal como já nos habituamos, a expectativa por vezes favorece os movimentos de preço em alta, nem que seja devido ao FOMO (medo de ficar de fora).

Conclusão

O Ethereum 2.0 marcará o começo de uma nova história para o projeto, com um impacto ainda incerto, mas com contornos que poderão torná-lo um dos próximos mega projetos tecnológicos, capazes de revolucionar todo o segmento.

Será capaz de alcançar todo esse potencial? Só o tempo o dirá, mas a expectativa é, sem margem para dúvidas, alta.

A atualização Serenity, que dará luz ao Ethereum 2.0, vai corrigir e melhorar praticamente todos os problemas históricos do Ethereum. Problemas que, apesar de tudo, nunca impediram o projeto de se tornar um dos mais relevantes no ecossistema das criptomoedas.

Em Resumo


Fase 0 do Ethereum 2.0 deverá iniciar no terceiro trimestre de 2020.

A nova vida do projeto será aplicada em 3 fases, que deverão decorrer, pelo menos, até 2022.

Melhorar escalabilidade, eficiência e velocidade da rede são os principais objetivos da atualização.

Ethereum abandonará o algoritmo de consenso Proof of Work para adotar um algoritmo Proof of Stake, que vai começar a compensar com juros os usuários que detêm mais criptomoedas.

Autor
Marcela Lima
Marcela Lima

Marcela conheceu o Bitcoin em 2012 e ficou fascinada com a tecnologia. Desde então tem estudado o potencial das criptomoedas e a forma como podem mudar a sociedade. Hoje divide o seu tempo entre a escrita e a gestão do seu portfólio, composto majoritariamente por criptomoedas e por ações.

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