O Que É Mineração de Bitcoin? É Possível Criar Bitcoins?

Muitas das criptomoedas hoje em dia são criadas por um processo conhecido como o mining – mineração, mas a primeira a introduzir este conceito foi precisamente o Bitcoin.

Para se entender como funciona a mineração é preciso entender um pouco como funciona a Blockchain, a tecnologia que está na base de quase todas as criptomoedas.

Sucintamente, a Blockchain é uma rede descentralizada que age como uma base de dados, onde são armazenadas todas as transações que já ocorreram com uma certa criptomoeda.

Essas informações são guardadas em blocos, que vão se “encadeando” uns nos outros. Ou seja: podemos pensar na Blockchain como uma cadeia de blocos.

1. O Que é Mineração de Bitcoin?

A Blockchain é uma rede descentralizada, o que significa que não é governada por uma autoridade central.

Os minersmineradores – são quem mantêm a rede ativa e verificam a legitimidade das transações através de algoritmos informáticos, os algoritmos de consenso.

A execução desses algoritmos requer um grande poder de processamento cedido pelos miners à rede.

Ou seja:

São os miners que garantem a legitimidade de todas as transações feitas e que mantêm a Blockchain sincronizada entre todos eles.

Toda a vez que uma nova quantidade de transações é armazenada em um novo bloco, esse bloco é “encadeado” na cadeia já existente. O miner que conseguir resolver o problema do algoritmo mais rapidamente consegue “encadear” o novo bloco e é recompensado com uma certa quantia da criptomoeda que está minerando.

Portanto quem tiver mais poder de processamento tem mais chances de receber a recompensa. Inicialmente qualquer pessoa podia construir uma mining rig, equipamento de mineração, para tentar a sua sorte.

Mineradora de Bitcoin
Mining rig simples: 3 placas de vídeo (GPU’s) montadas em paralelo para maximizar o poder computacional.

Contudo a dificuldade do problema do algoritmo aumenta a cada bloco novo, aumentando a quantidade de poder de processamento necessário.

2. Como Funciona a Mineração?

Para se conseguir minerar Bitcoin recorre-se a hardware da mais alta gama possível como GPU’s (placas de vídeo) ou ASIC’s (Application Specific Integrated Circuits) montados em paralelo para rentabilizar aos máximo as suas capacidades.

Com isso é também necessário um esquema para manter tudo sem superaquecer. As infraestruturas que possibilitam isso são as chamadas mining farms, fazendas de mineração.

Fábrica de Mineração de Bitcoin
Exemplo de uma mining farm com enormes quantidades de poder de processamento computacional.

Para o usuário comum que queira investir em criptomoedas através do mining, existem duas opções:

  • Tentar montar um mining rig caseiro e tentar minerar uma altcoin que tenha um baixo nível de dificuldade;
  • Investir em cloud mining, o aluguel de poder de processamento na cloud para receber uma parte dos ganhos de uma mining farm.

Ambas estratégias podem envolver um investimento inicial substancial, especialmente porque a demanda de placas de vídeo para minerar criptomoedas tem feito com que o seu preço suba.

Todo esse aparato eletrônico das mining farms espalhadas pelo mundo consome uma enorme quantidade de energia, o que levanta preocupações quanto à viabilidade desse processo para a criação de criptomoedas.

Consumo de Energia Mineração
Consumo elétrico anual da rede Bitcoin comparada ao de alguns países. Fonte: BitcoinEnergyConsumption

Uma transação de Bitcoin consome mais energia do que 100.000 transações da VISA. Atualmente, o consumo energético só da rede Bitcoin é superior ao de países como a Grécia.

3. Conclusão

Com essas consequências potencialmente graves para a sociedade e meio ambiente, cada vez mais se pensa em alternativas.

Soluções novas estão constantemente sendo debatidas, tais como:

  • Um algoritmo de consenso melhor (Proof of Work vs Proof of Stake);
  • Equipamentos eletrônicos otimizados para o mining (grandes empresas como Intel têm trabalhado nisso).

Com a tecnologia ainda se desenvolvendo, esse é dos aspectos mais importantes a serem resolvidos para que ela possa ser sustentável, pois se uma criptomoeda não tiver um bom esquema de mineração a sua integridade fica comprometida.

Autor
Marcela Lima
Marcela Lima

Marcela conheceu o Bitcoin em 2012 e ficou fascinada com a tecnologia. Desde então tem estudado o potencial das criptomoedas e a forma como podem mudar a sociedade. Hoje divide o seu tempo entre a escrita e a gestão do seu portfólio, composto majoritariamente por criptomoedas e por ações.

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